domingo, 30 de dezembro de 2012

Seus Olhos


Seus Olhos

Seus olhos, quando distantes, são repulsa e admiração;
Quando encontram os meus, são medo e insegurança;
Resplandecem um misto de sensualidade e inocência pueris;
O mundo o absorve como um ranço de perfídia.

Seus olhos transbordam enigmáticas fontes;
Impelido me faço mergulhar nelas;
Tolhido, prostrado a teus pés, emudeço diante do silêncio;
Fitas com tamanho magnetismo... paraíso e condenação.

Seus olhos acendem meu desejo, afogueiam meu espírito;
Derrotado, reduzido a um espectro diante de tão fulgurante visão;
Meus olhos procuram os seus, mas esquivam, acovardam;
Estáticos, contemplam teu misterioso ser.

Seus olhos me transportam para uma existência superior;
Derramam seu néctar, despejam seu jorro nocivo;
Percorro labirintos sem o novelo que Teseu levava nas mãos;
Abandonado, entregue à própria sorte.

Seus olhos beijam minhas lágrimas;
Amparam minhas mãos;
Envolvem meu invólucro;
Elevam-me.

Seus olhos me fazem sentir agruras;
Não os posso ter todo o tempo;
Meu sangue se esvai;
O corpo vassalo resvala.

Seus olhos convidam os meus instintos;
Acelero, transponho, extasio;
Desacelero...
Sonho com seus olhos...


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